Se Beber, Não Case com Brüno

September 18, 2009

  Originalmente, eu ia fazer um post para cada um fos filmes, comentando qualidades, defeitos, bons momentos, momentos ruins, etc, etc. Eu ainda vou fazer isso, mas resolvi juntar os dois posts num só pras pessoas não terem que discordar de mim em duas ocasiões diferentes.
  A comédia é uma das áreas mais difíceis de se fazer. Na verdade, é a mais difícil. As pessoas riem de coisas diferentes, obviamente. Humor negro, pastelão, humor inteligente, escatologia, fakumentary – uns funcionam pra alguns, outros não. Difícil um que funciona pra todos. Eu, por exemplo, não gosto de escatologia e nem de pastelão. Dos outros eu gosto até demais. Então, nada melhor que dois filmes com muito pouco pastelão e escatologia, não? Não.
  Quer dizer, mais ou menos. Sei lá. Esse post vai ser confuso e até controverso, porque é exatamente como estou me sentindo agora. Remando contra a maré. Assisti Brüno. Assisti The Hangover. Gostei muito de um. Odiei o outro.

  bruno

 
  Mas vamos lá. Com Brüno é mais fácil de me defender, então vamos deixar o pior pra depois. O filme dividiu opiniões, mas não chegou a ser um ame-ou-odeie, o que é bom porque quando eu digo que gostei as pessoas até dizem “É… foi legal.”
  Depois de muito pensar (acho que quase um mês inteiro) eu cheguei a conclusão de que o segredo pra eu gostar do filme foi minha baixa guarda. É que Borat foi tão legal que eu achei sinceramente muito dificil que o polêmico Sacha Baron Cohen conseguisse repetir o feito. Para a maioria, ele não conseguiu mesmo. Pra mim, fez bem.
  O que me divertiu foi que o longa tem a mesma idéia de Borat, mas não evoca o filme anterior, principalmente pelas temáticas absurdamente diferentes. É claro, as entrevistas constrangedoras e situações inusitadas estão todas lá, mas Brüno é muito mais – não tem outra palavra – ácido.
  Eu acho que o que causou desconforto na maior parte da platéia foi a realidade sendo jogada sem critério e sem pudor na cara de todo mundo – quase literalmente. Porque Borat eram as aventuras daquele reporter judeu de um país muito distante que ninguém conhece, então é fácil rir de uma coisa muito distante de nossa realidade. Viado não. Viado você encontra em todo canto.
  As piadas constrangedoras de Borat eram ótimas porque tinham aquele senso de vergonha alheia, um tipo de coisa que você nunca viveria em sua vida, mas, se vivesse, não faria daquela forma inusitada, tipo The Office.
  O que constrangeu em Brüno, em minha modesta opinião, é que muita gente viu sua reação esboçada naquelas pessoas entrevistadas pelo repórter austríaco, a representação máxima do preconceito que muitos deixam guardados no fundo do baú – ou não – a começar pelo guia cristão (tão obviamente gay) que fez o discurso dizendo que era possível mudar de orientação sexual: se havia algum cristão na platéia, ele deve ter ido embora. Depois as diversas reações das pessoas diante de uma bichinha com todos os seus estereótipos – de novo, a platéia se identifica, mas não uma boa identificação: não é todo dia que seu preconceito é exposto em tela grande assim, pra mostrar seus defeitos pra todo mundo. Da mesma forma que não é todo dia que um órgao genital masculino aparece girando em tela grande pra todo mundo ver e aí sim, isso é chocante e gera risadas incertas e/ou nervosas. Ninguém sabe se ri ou não.
  Acho que acertei. O humor de Sacha Baron Cohen é muito novo, muito desconhecido, pros brasileiros então, bizarro (The Office não faz o menor sucesso aqui – pena) e pra poucos. Eu mesmo que curti o filme não estou muito certo se isso é uma coisa boa. Defendi minha opinião não muito certo de mim mesmo, admito, mas acho que só o tempo dirá se as inovações de Sacha ainda vão deixar o povo mais maduro ou não.

  Agora, a parte difícil.

the_hangover01

  Visitei sites de crítica, trending topics no Twitter, bilheterias, cinéfilos e tudo que podia. É unânime. Todo mundo gostou de Hangover. Menos eu.

  Não sei explicar. Já coloquei os fatores externos em uma lista: 1. Demorei pra ver.  2. Todo mundo já tinha falado que era muito engraçado. 3. As pessoas estavam rindo exageradamente na sessão (ás vezes nem tinha piada pra rir!). 4. Eu acho Bradley Cooper  um pé no saco… Mas sei lá. Quando um filme é engraçado é engraçado e pronto. Não importa quando você assiste. Você geralmente ri com a platéia. E Bradley Cooper nem estava irritante como de costume.
  Para mim, pareceu que na hora de se escrever o roteiro os caras primeiro tiveram as idéias das coisas loucas que apareceriam pra depois tentar colocar em contexto e dar explicações, pro roteiro ficar “esperto”. Se foi assim, falharam miseravelmente. Por que em que contexto dá pra juntar Mike Tyson, um tigre, dente arrancado, noivo sumido e milhões de outras coisas? Não dá. Mas é uma comédia, eu disse a mim mesmo, largue um pouco da verossimilhança de lado. Não consegui. Em minha defesa, não explicaram a galinha nem o rombo no sofá. Ou explicaram? Minha atenção foi se esvaindo… Sei lá. Vi em Grey’s Anatomy que algumas coisas simplesmente não tem explicação, então (por enquanto) estou me contentando em acreditar que não gostei e pronto. Mas quando sair em dvd  vou assistir mais uma vez. Não é possível, só eu enxerguei o roteiro em formato piada pronta? Só eu vi que as peças não se encaixam bem? Que o Alan não é tão engraçado porque ele foi feito pra ser engraçado? Que não precisa de alívio cômico em comédias? Ou fui eu que perdi o momento em que o filme decola?
  Porque foi assim com Jogos do Poder (Charlie Wilson’s War). No cinema achei uma merda. Em dvd adorei, e até entrou pra minha coleção, paguei mais caro do que devia e tudo. Mas Charlie Wilson é uma dramédia política… Alguém me dê uma luz, por favor!

Here We Go Again

August 30, 2009

– Separando os blogs:

Cinemassoto é o local onde você deve ir quando quiser dicas sobre o que alugar em sua locadora.
CinemassotoSéries vai te dizer se vale a pena passar várias horas diante da TV assistindo os mesmos personagens fazendo basicamente as mesmas coisas.
Mas faltava alguma coisa.
Como fazer um blog de cinema se eu não falo sobre os filmes que estão no cinema no momento??
Fim do problema.
É com imenso prazer que declaro inaugurado Cinemassoto Onde Pertence, ou seja, o lar do cinéfilo. E os filmes conferidos no cinema por esse humilde autor que vos fala será aqui criticado, e alguns meses depois o mesmo filme aparecerá em dvd quando reavaliado.
Aproveito a oportunidade para prometer a quarta ramificação do blog que surgirá em breve e servirá simplesmente para discutir assuntos relacionados a cinema que surjam no dia-a-dia. Aproveitem!

P.S.: Repararam que os O’s do título formam olhos arregalados? Hehehe, só pra fazer uma alusãozinha à minha expressão quando estou no cinema.